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Frogtoon Música - Informações de gênero para Hip-Hop

Hip hop é um movimento cultural iniciado no final da década de 1960 nos Estados Unidos como forma de reação aos conflitos sociais e à violência sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana. É uma espécie de cultura das ruas, um movimento de reinvidicação de espaço e voz das periferias, traduzido nas letras questionadoras e agressivas, no ritmo forte e intenso e nas imagens grafitadas pelos muros das cidades. O hip hop como movimento cultural é composto por quatro manifestações artísticas principais: MCing que é a manifestação do mestre de cerimônias, que anima a festa com suas rimas improvisadas,a instrumentação dos DJs, a dança do BREAKING (e não breakdance) e a pintura do grafite. O termo música hip hop não se confunde com o rap (Rhythm and poetry), pois este tem estrutura divergente da música Hip Hop em vários pontos, apesar de terem pontos em comum. Existem rappers que não tocam Hip Hop, por exemplo Eminem e Racionais. E também existem músicos de Hip Hop que não fazem RAP. Exemplo claro disso é percebido quando se assiste à premiação norte-americana de clipes da MTV, o chamado VMA. Neste existem duas categorias distintas: uma pra melhor clipe de Rap e outra para melhor clip de Hip Hop. No Brasil, os mais desinformados costumam adotar os dois termos como sinônimos. No Brasil, o movimento hip-hop foi adotado, sobretudo, pelos jovens negros e pobres de cidades grandes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, como forma de discussão e protesto contra o preconceito racial, a miséria e a exclusão. Como movimento cultural, o hip-hop tem servido como ferramenta de integração social e mesmo de re-socialização de jovens das periferias no sentido de romper com essa realidade. O hip-hop emergiu no final da década de 1960 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. As gangues funcionavam como um sistema opressor dentro das próprias periferias - quem fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora, sempre conhecia os territórios e as regras impostas por elas,devendo segui-las rigidamente. Esses bairros eram essencialmente habitados por imigrantes do Caribe, vindos principalmente da Jamaica. Por lá existiam festas de rua com equipamentos sonoros ou carros de som muito possantes chamados de Sound System (carros equipados com equipamentos de som, parecidos com trios elétricos). Os Sound System foram levados para o Bronx, um dos bairros de Nova Iorque de maioria negra, pelo DJ Kool Herc, que com doze anos migrou para os Estados Unidos com sua família. Foi Herc quem introduziu o Toast (modo de cantar com levadas bem fraseadas e rimas bem feitas, muitas vezes bem politizadas e outras banais e sexuais, cantadas em cima de reggae instrumental), que daria origem ao rap. Neste contexto, nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, formas próprias, dos jovens ligados àquele movimento, de se fazer música, dança, poesia e pintura. Os DJs Afrika Bambaataa, Kool Herc e Grand Master Flash, GrandWizard Theodore, GrandMixer DST (hoje DXT), Holywood e Pete Jones, entre outros, observaram e participaram destas expressões de rua, e começaram a organizar festas nas quais estas manifestações tinham espaço - assim nasceram as Block Parties. As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a freqüentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado hoje o padrinho da cultura hip-hop, o idealizador da junção dos elementos, criador do termo hip-hop e por anos tido como "master of records" (mestre dos discos), por sua vasta coleção de discos de vinil. DJ Hollywood foi um DJ de grande importância para o movimento. Apesar de tocar ritmos mais pop como a discoteca, foi o primeiro a introduzir em suas festas MCs que animavam com rimas e frases que deram início ao rap. Os MCs passaram a fazer discursos rimados sobre a comunidade, à festa e outros aspectos da vida cotidiana. Taki 183, o grande mestre do Pixo, fez uma revolução em Nova Iorque ao lançar suas "Tags" (assinaturas) por toda cidade, sendo noticiado até no New York Times à época. Depois dele vieram Blade, Zephyr, Seen, Dondi, Futura 2000, Lady Pink, Phase 2, entre outros. Em 12 de novembro de 1973 foi criada a primeira organização que tinha em seus interesses o hip hop, cuja sede estava situada no bairro do Bronx. A Zulu Nation tem como objetivo acabar com os vários problemas dos jovens dos subúrbios, especialmente a violência. Começaram a organizar "batalhas" não violentas entre gangues com um objetivo pacificador. As batalhas consistiam em uma competição artística. No Brasil... O berço do hip hop brasileiro é São Paulo, onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais encontros na rua 24 de Maio e no metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde, DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill (Verbo Pesado), Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais MCs, Doctors MCs, Shary Laine, Mt Bronks, Rappin Hood, entre outros. Atualmente existem diversos grupos que representam a cultura hip hop no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation Brasil, Casa de Cultura Hip Hop, Posse Hausa (São Bernardo do Campo), Associação de Hip Hop de Bauru, Cedeca, Cufa (Central Única das Favelas). Observação: Rap não é Hip Hop, Hip Hop é a cultura que reúne os quatro elementos: MC, Breaking, Grafite e DJ, o Rap é a música que reúne a fusão de dois elementos, o DJ e o MC (Mestre de Cerimônia). Multidimensionalidade do hip hop Segundo Alejandro Frigerio, a principal característica das artes negras é seu caráter multidimensional, denso. A performance mistura, em níveis sucessivos, gêneros que para a cultura ocidental seriam diferentes e separados (músicas, poesia, dança, pintura). A interpretação, a fusão de todos esses elementos que faz dela uma forma artística que não seria equivalente à soma dos elementos separados. Para compreender a multidimensionalidade da performace, é necessário fazê-lo em seu contexto social. Fora deste contexto social, somente se compreenderiam alguns dos elementos, mas não só como um conjunto de dança, música, poesia e artes plásticas, senão como uma performace inserida num contexto social, neste caso marginal, cheio de problemas sociais, educacionais e de exclusão social. Este contexto social é o que dá sentido à performance. A importância do estilo pessoal O diálogo entre a performace e a realça e o caráter criativo da performance. "O contraponto com um interlocutor também leva ambas performace a maiores e melhores desempenhos". O estilo pessoal é de grande importância na performance porque as características próprias de cada performace acrescentam as possibilidades de inovação e de criação de novos estilos. "Espera-se que o performace não só seja competente, mas que também possua um estilo próprio, o que pode ser observado na cultura negra urbana contemporânea, por exemplo, em todos os aspectos do hip-hop". O estilo pessoal não se valoriza em situações de representação, também é importante em todos os aspectos da vida cotidiana (estética, cumprimento, fala etc). DJ (disc-jockey) Operador de discos, que faz bases e colagens rítmicas sobre as quais se articulam os outros elementos, hoje o DJ é considerado um músico, após a introdução dos scratches de GradMixer DST na canção "Rock it" de Herbie Hancock, que representa um incremento da composição e não somente um efeito. O break-beat é a criação de uma batida em cima de composições já existentes, uma espécie de loop. Seu criador DJ Kool Herc desenvolveu esta técnica possibilitando B.Boys a dançarem e MCs a cantarem. O Beat-Juggling já é a criação de composições as pelos DJ nos toca-discos, com discos e canções diferentes. Há diversos tipos de DJs: o DJ de grupo, de baile/festas/aniversários/eventos em geral e o DJ de competição. Este por sua vez, faz da técnica e criatividade, os elementos essências para despertar e prender a atenção do público. Um DJ de competição é um DJ que desenvolve e realiza apresentações contendo scratchs, batidas e até frases recortadas de diferentes discos (samples). Esses DJs competem entre si usando todo e qualquer trecho musical de um vinil. MC (master of cerimonies) Mestre de Cerimônia, é o porta-voz que relata, através de articulações de rimas, os problemas, carências e experiências em geral dos guetos. Não só descreve, também lança mensagens de alerta e orientação, o MC tem como principal função animar uma festa e contribuir com as pessoas para se divertirem. Muitos MCs no início do hip-hop davam recados, mandavam cantadas e simplesmente animavam as festas com algumas rimas. O primeiro MC foi Coke La Rock, MC que animava as festas de Kool Herc.No Brasil os primeiros rimadores foram Jair Rodrigues, Gabriel o pensador entre grupos como balinhas do rap, Thaíde e DJ Hum, Racionais Mcs.O MC é aquele que atraves de suas rimas mostra as varias formas de reivindicação, angustias e injustiças com as classes socias mais desfavoraveis mostrando o poder da transformação. Break dance Break Dance (B-boying, Popping e Locking), por convenção, chama-se todas essas danças de Break Dance. Apesar de terem a mesma origem, são de lugares distintos e por isso apresentam influências das mais variadas. Desde o início da década de 60, quando a onda de música negra assolou os Estados Unidos, a população das grandes cidades sentia uma maior proximidade com estes artistas, principalmente por sua maneira verdadeira de demonstrar a alma em suas canções. As gangues da época usavam o break para disputar território, a gangue que se destacava melhor era a que comandava o território.A dança é inspirada nos movimentos da guerra. Grafite Expressão plástica, o grafite representa desenhos, apelidos ou mensagens sobre qualquer assunto, feitas com spray, rolinho e pincel em muros ou paredes. Sendo considerado por muitos uma forma de arte, diferente do "picho", que têm outra função de apenas deixar sua marca, o grafite é usado por muitos como forma de expressão e denúncia. Modalidades da dança de rua B.Boying House Dance Popping Locking Hip Hop Freestyle Observações: o Ragga Jam não é uma das danças derua, ele está dentro do Hip Hop Freestyle. História do Hip-Hop Hip Hop Precursores Antecipações do que seria o Hip Hop foram identificadas no blues, no jazz e no rhythm & blues desde os anos 50 como em Bo Diddley. "I Am the Greatest", álbum de spoken-word de Muhammed Ali lançado em 1963 é considerado um dos primeiros exemplos de hip hop. O single "Here Comes the Judge" de Pigmeat Markham lançado de 1968 também é considerado um exemplo de hip hop, assim como o disco de estréia dos The Last Poets em 1970 e faixa "The Revolution Will Not Be Televised" de Gil Scott-Heron em 1971. Esses artistas combinavam spoken word e música criando uma vibe "proto-rap". 1973-1979: Primeiros Anos A cultura hip hop se formou em Nova York nos anos 70 advindo da juventude afro-americana e imigrante caribenha. Esse tipo de música tem sido descrito como uma reação de jovens de baixa renda e marginalizados à sua situação, muitos dos nomes que ajudaram à estabelecer o hip hop eram de origem latina e caribenha como DJ Kool Herc, DJ Disco Wiz, Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa. É difícil dizer exatamente os sons que influenciaram o hip hop pela natureza multicultural de Nova York, certamente há muita influência da música jamaicana devido a grande migração de jamaicanos pra cidade nos anos 90. Nos anos 70, block parties eram populares entre a juventude negra, imigrante e latina do Bronx e nelas se tocava soul e funk, devido à popularidade das canções, DJ's começaram à isolar os breaks das faixas. Essa técnica já era usada no Dub jamaicano, e certamente foi introduzida à Nova York por imigrantes como DJ Kool Herc. Como de modo geral os breaks de funk e soul são curtos, os DJ's começaram à usar toca-discos pra estendê-los, Herc utilizou um tipo de técnica de poesia cantada conhecido como impromptu toast sobre os beats e em 11 de agosto de 1973, Herc foi DJ pra uma festa de sua irmã e extendeu um break usando dois toca-discos e um mixer pra alternar entre os discos, essa técnica é o que passamos à chamar de scratching. A segunda técnica importante pro hip hop é o emceeing, rapping ou rimar que consiste no uso de palavras ritmadas acompanhadas pelo beat, esse estilo foi influenciado pelo capping (batalha de rap) onde os jovens tentavam se sobrepor uns aos outros na tentativa de ganhar a platéia, todos os outros elementos básicos do hip hop -se vangloriar dentro do rap, reclamar rivalidades e chamar o adversário pra briga além do comentário político-social- já estavam presentes na música negra antes. O rimar em geral varia entre o toasting, algo mais sensual ou então político, o papel inicial de um MC é ser o mestre de cerimônias pra um evento de dança, o MC introduz o DJ e tenta animar a platéia, ele fala durante a música pra incentivar as pessoas à dançarem e faz humor. Conforme esse hábito foi se desenvolvendo em sessões mais longas de rimas surgiu o hip hop. Pelo ano de 1979, o hip hop já era mainstream e iria se expandir pro resto do globo à partir do gangsta rap dos anos 90. Outro estilo pioneirizado por Herc foi o break-beat onde os breaks de soul eram isolados de modo à formar festas que durariam a noite toda. Herc chamava seus dançarinos de break-boys e break-girls, o que foi depois encurtado pra b-boys e b-girls. Segundo o DJ, break era um termo pra "ficar excitado"/"agir de forma energética". O som criado por Herc foi copiado e rappers costumavam gravar discos de singles em cima de beats, canções clássicas incluem "The Breaks" por Kurtis Blow e "Rapper's Delight" por Sugarhill Gang. Rappers se encontravam em locais públicos como quadras de basquete na 1520 Sedgwick Avenue no Bronx e usando apenas seus toca-discos, microfones e caixas de som criavam uma variedade de músicas. Gangues eram comuns naquele bairro e aa competições de graffiti, rap e b-boying viraram meios de confrontação entre elas. Pensando que o ímpeto violento das gangues poderia originar algo criativo, Afrika Bambaataa fundou a Zulu Nation, uma confederação de grafiteiros, rappers e b-boys. No fim dos anos 70, a cena começa à crescer e a Billboard publica a matéria "B Beats Bombarding Bronx", em 1977 ocorre o grande blackout de Nova York e várias agitações sociais ocorrem durante o apagão, alguns aparelhos de sons são roubados nesse período e após esse ano o hip hop efetivamente explodiu. As festas caseiras de Herc de tão populares começam à acontecer nas ruas, onde "jovens podiam gastar sua energia explosiva não se metendo em problemas" visto a desigualdade racial e os riscos de violência policial ou da vida nas gangues, "as pessoas dançavam break contra as outras ao invés de brigarem". A faixa "The Message" por Grandmaster Flash & The Furious Five foi um marco no gênero pelo seu tom político, jovens dos movimentos pelos direitos civis passaram a usar o som como um meio pra veicular suas questões, "assim como o rock, os conservadores não gostavam do hip hop porque ele romantizava a violência, a quebra da lei e as gangues", ele também dava uma oportunidade pras pessoas fazerem dinheiro "reduzindo os outros à consumidores das suas críticas sociais". No fim de 1979, a banda de Debbie Harry, Blondie, lançou o single "Rapture" que continha uma parte de rap no final, a faixa foi a primeira canção relacionada ao hip hop que entrou no Billboard Top 100. Muhammad Ali foi uma figura importante pro Hip Hop, nas entrevistas ele falava de maneira ritmada frases cômicas, provocações típicas de esporte e bragaddocio (falar de si mesmo de maneira auto-complacente) que viraram o padrão pro freestyle de rappers como Run D.M.C. e LL Cool J. O surgimento do Hip Hop não coincidentemente acontece no momento em que a tecnologia dos samplers e das caixas de ritmo se tornaram disponíveis pro público geral. Samplers e caixas de ritmo eram combinados em MPC's (Music Production Centers), um exemplo inclui o Linn 9000. O primeiro sampler usado pra criar esse tipo de música foi o Mellotron e a caixa de ritmos era a TR-808, que foram sucedidos nos anos 80 pela marca AKAI. Técnicas de turntablism se desenvolvem como o scratch (puxar o disco pra frente e pra trás de modo à criar um efeito de som), misturar beats e o pitch cue, ou beatmatch, que consiste em sincronizar o tempo de duas faixas distintas. O rimar (rapping, falar de maneira ritmada) é a maneira pela qual os rapper's preenchem seus beats, que em geral tem tempo 4/4 e são criados sampleando outras músicas, nem todos os rapper's rimam mas a maioria o faz. Uma origem possível pro rimar remonta aos griots africanos, assim como a poesia jazz, o signifyin' e o padrão de chamado e resposta das músicas religiosas africanas, muitos disc jokeys usavam essas técnicas pra introduzir músicas na era do rádio durante o pós-Segunda Guerra. DJ Nat D. foi MC do programa Amateur Night no Palácio de Beale Street em Memphis, Tennessee, de 1935 à 1947, ele foi o único radialista negro abaixo da linha Mason-Dixon, que separa o Sul do Norte dos EUA. O jive, modo de falar dos jovens negros que abusava de gírias e obscenidades, revigorou a audiência das rádios negras, vários MCs ao redor do país tinham um estilo parecido com o de Nat vide Al Benson (WJJD, Chicago), Dr. Hep Cat (KVET, Austin) e Jockey Jack (WERD, Atlanta), vários brancos imitavam o sotaque pra que a audiência achasse que eles eram negros por temerem perderem público por serem brancos tocando Jazz, Blues ou Bebop. O jive foi a inspiração pro estilo de cantar de James Brown assim como do comediante Rudy Ray Moore, além desses estilos é inegável a influência de vários poetas como Gil-Scott Heron e The Last Poets durante os movimentos pelos direitos civis no Hip Hop. As rádios AM precisavam de licença pra operar à noite e por isso os poucos que conseguiam eram ouvidos em todo os EUA e no Caribe, Jocko Henderson e Jockey Jack eram jamaicanos que ouviam rádios de Miami, eles levavam seus equipamentos de sons pros subúrbios onde faziam festas onde copiavam o estilo dos americanos, o jive virou o patois jamaicano. As chamadas block parties americanas já eram uma realidade na Jamaica desde os anos 50, alguns DJs desse estilo incluem o dancehall de Sir Lord Comic e o talk-over de Prince Buster, que incorporava um pouco do Blues. O primeiro registro de um dancehall jamaicano foi "Righteous Ruler" de U-Roy & Peter Tosh com produção de Lee Perry, o tema era o rastafarianismo e saiu em 1969, no mesmo ano "Fire Corner" de King Stitt foi o primeiro à fazer sucesso abrindo caminho pra outros que o sucederam. A febre dos DJs na Jamaica certamente contribuiu pro sucesso do Reggae e um de seus maiores legados foi a invenção do remix. A primeira canção jamaicana à fazer sucesso fora do país foi "Cocaine in my Brain" em 1976, o DJ Herc era um entusiasta da música jamaicana. No começo do hip hop, muitos se dividiam entre apoiadores ou não da Disco Music, que havia se enbranquecido, muitos dos primeiros rapper's usavam samples de música negra (disco, soul, R&B) considerada vintage, rimando sobre as linhas de baixo isoladas como "Rapper's Delight" da Sugarhill Gang que usava "Good Times" do Chic como sample, "Planet Rock" do Afrika Bambaataa que usava trechos de "Trans-Europe Express" e "Numbers" do Kraftwerk, os estilos de disco music dos DJs negros evoluíram pro House em Chicago e o Techno em Detroit. 1979-1983: Old School Hip Hop DJ Disco Wiz é creditado como o primeiro rapper à gravar uma "mixed plate" (mixtape) misturando gravações de dub e combinando sons, efeitos especiais e pausas, a faixa "Rapper's Delight" da Sugarhill Gang é tida como a primeira gravação oficial de hip hop da história, mas não sem controvérsia já que "Kim Tim Ill (Personality Jock)" da Fatback Band, do mesmo ano, disputa esse título. Por volta do começo dos anos 80, todos os elementos pro surgimento do hip hop já estavam postos e a música eletrônica era a moda nas ruas e nos clubes. A rádio WKTU promoveu a canção "Nunk" do Warp 9 como símbolo de seu novo tipo de som, que era um hip hop emergente, apesar de não mainstream várias cidades além de NY passaram à ter cenas próprias de rap como Los Angeles, Atlanta e Chicago. A primeira gravação de Hip Hop à contar com um vocal feminino, "Funk You Up" da Sugarhill Records, foi performada pelo The Sequence, grupo de Columbia na Carolina do Sul, durante muito tempo porém apenas a Filadélfia (na Pensilvânia) pode se comparar à Nova York em termos de expressão da cena, o NYT entitulou a cidade "a capital do Grafite" e Lady B, a primeira rapper feminina solo, e Scholly D, um precursor do gangsta rap, saíram de lá. O hip hop passa à se diversificar nos anos 80 e Nova York era um laboratório de experimentação musical, "The Adventures of Grandmaster Flash on the Wheels of Steel" de 1981 é um single composto inteiramente por samples assim como as já citadas "Planet Rock" e "Nunk", que apontavam pra uma fusão do hip hop com a música eletrônica. "Beat Bop" de Rammellzee & K-Rob foi uma 'slow jam' muito influenciada pelo Dub no seu uso de reverberação e eco, enquanto "Lights Years Away" (Warp 9, 1983) é comumente descrita como o começo do 'afrofuturismo beatbox', introduzindo comentários sociais por uma perspectiva da ficção científica. Enquanto nos anos 70, a maioria dos samples vinham do Soul, na década seguinte o Disco passou à ser majoritário e após a metade da década já era possível ver samples de Rock no trabalho dos Beastie Boys, por exemplo, todo o período anterior ao lançamento de "Licensed to Ill" (1986) costuma ser classificado como 'Old School Hip Hop'. O TR-808 Rhythm Composer da Roland Corporation foi a primeira caixa de ritmos capaz de produzir os próprios beats ao invés do usuário ter que usar padrões pré-existentes, apesar de um fracasso comercial o equipamento ganhou um cult following nos anos seguintes. "Planet Rock" foi gravada numa TR-808, a influência da máquina é comparável a invenção da Fender Stratoscaster pro Rock. Produtores como Marley Marl usavam as caixas de ritmos pra produzir seus próprios beats através de enxertos pequenos de outros beats em sincronização, no caso dele acionando três unidades de atraso de sampler através de uma Roland 808. O E-mu SP-1200 aumentou não só a memória dos equipamentos mas permitiu maior flexibilidade, permitindo a filtração e estratificação de músicas diferentes e o ressequenciamento delas em uma peça só. À partir do lançamento do AKAI S900, produtores não precisaram mais criar loops complexos que consumiam tantas fitas de tape, o primeiro álbum do Public Enemy foi criado com o equipamento. O processo de 'loopar' um break pra criar um breakbeat deixa de ser feito com os toca-discos e passa à ser feito com samplers, "The 900 Number" do DJ Mark James (ou 45 King) foi a primeira faixa à ter seus breakbeats feitos de maneira sintética. A lírica do rap também evoluiu, abrangendo linguagem metafórica e explorando uma gama extensa de assuntos, artistas como Melle Mel, Rakim e Warp 9 sofisticaram o gênero apresentando texturas complexas e múltiplas camadas de som. O influente single "The Message" do Grandmaster Flash & The Furious 5 é considerado um dos primeiros do 'conscious hip hop', um rap com vocação claramente política. Pequenas gravadoras como a Tommy Boy, a Prism e a Profile se tornaram bem-sucedidas devido à demanda de baladas e estações de rádio, exemplos da fusão entre música eletrônica e hip hop incluem o próprio Afrika Bambaataa, Cybotrom, Rashim, Warp 9 e Planet Patrol e produtores como Arthur Baker, John Robie e Lotti Golden passaram à ser nomes comuns em vários lançamentos. A aparição de Kurtis Blow num comercial da Sprite marcou um momento de inflexão pro hip hop, já que efetivamente era a primeira aparição de um rapper em na mídia mainstream. Nomes como Greg Wilson levavam o hip hop pra fora dos EUA, no caso dele pra Inglaterra, o B-Boying foi introduzido antes do rap em alguns lugares como a África do Sul, na França o rapper Sidney não só é considerado o pai do gênero ali como foi o primeiro apresentador negro do país, a Radio Nova foi um importante veículo de divulgação do hip hop na França. A comunidade negra e a latina sempre foram próximas e rappers de origem hispânica misturavam inglês e espanhol nas suas músicas, o grupo Cypress Hill foi formado em 1988 no subúrbio de Los Angeles pelos cubanos Senen Reyes e Ulpiano Sergio, eles se juntaram à DVX, DJ Muggs e B-Real. O hip hop japonês diz ter começado quando Hiroshi Fujiwara retornou dos EUA com discos de rap, até hoje a cena japonesa tende à se parecer mais com o Old School Hip Hop no seu caráter mais descompromissado, beats chiclete e cultura de dança. 1983-1986: New School Hip Hop Esse período da história do Hip Hop começa com os lançamentos dos primeiros discos do Run D.M.C. e de LL Cool J, como a cena que o precedeu vindo majoritariamente de Nova York, caracterizando-se por beats mais minimalistas e o uso de rock como sample, sendo também notavelmente pelo seu comentário político-social em geral proferido de modo agressivo e assertivo. Devido ao contraste em relação aos artistas mais influenciados pelo disco e pelo funk pré-1984, aqueles foram categorizados "Old School". Os artistas "New School" faziam canções mais curtas que poderiam ganhar mais execuções no rádio e discos mais coesos que seus antecessores, por volta de 1986 o formato álbum passou à ser predominante no Hip Hop. O termo "era de ouro do Hip Hop" se refere ao final dos anos 80 e em geral se diz caracterizar-se pela sua diversidade, qualidade, inovação e influência, sendo associado à atos como Public Enemy, KRS-One, Eric B. & Rakim, De La Soul e A Tribe Called Quest, todos caracterizados por uma experimentação maior, samples ecléticos e militância política. Ainda às vezes é usado o termo "Mid School" pra se referir à artistas como Gang Starr e EPMD. Os produtores da New School como Rick Rubin e Larry Smith logo são passados por nomes como Beastie Boys, Public Enemy e Eric B. & Rakim que apresentavam produções densas, rimas e beats rápidos, KRS-One levou os temas políticos do hip hop à outros patamares e artistas da gravadora Native Tongues em geral eram mais positivos, afrocêntricos e dançantes. Com a emergência do G-Funk na costa oeste, pode-se dizer que a New School na costa leste acabou com artistas mais pesados como Wu-Tang Clan e Notorious B.I.G. dominando a cena. Muitas vezes os termos Old School e New School são usados como sinônimos de velho e novo, o que não necessariamente é o caso, o último termo foi cunhado por Chuck D. Em 1988 e é a origem do nome do seu coletivo, os Leaders of New School, artistas distintos tem sido descritos pela categoria. David Toop escreveu em 1984 que Hollywood estava matando o hip hop em filmes açucarados como "Flashdance" e "Breakin'", Run D.M.C. e Beastie Boys foram artistas que produziram música contrária à essa popularização e por isso sua gravadora, a Def Jam, muitas vezes é categorizada como 'Hardcore Hip Hop', pra Peter Shapiro o single "It's Like That" do Run D.M.C. é o momento que mudou o jogo e fez tudo que veio antes ser digno da categoria Old School. Os Run D.M.C. cantavam sobre vários temas, sua faixa "Sucker MCs" usa de uma caixa de ritmos Oberheim DMX com poucos scratchs enquanto a letra aloprava rappers menores os contrastando com o sucesso do grupo. "It's Like That" é comumente descrita como politicamente consciente e objetivamente fatalista. Eles usavam 'roupas de rua', tracksuits e sneakers com o único acessório associado à vida adulta sendo as fedoras, esse estilo os contrastaram fortemente com os artistas de hip hop da época que usavam roupas chiques enfeitadas com penas, jerri curls, ternos de couro vermelhos e botas de camurça. Os primeiros singles do duo foram compilados no álbum de estréia deles de 1984 que introduziu referências ao rock em "Rock Box". No ano seguinte eles se apresentam no Live Aid e lançam seu segundo disco "King of Rock" onde afirmavam não pertencerem à Old School. "Raising Hell" de 1986 marca um ponto de inflexão pra banda já que músicas como "Peter Piper", "Perfection" e "It's Tricky" fizeram sucesso nacionalmente. "Walk This Way" foi um crossover que só foi possível graças ao produtor deles, Rick Rubin, que sugeriu que o Aerosmith participasse da faixa, a faixa que encerra esse terceiro disco "Proud to be Black" foi composta baseada em Chuck D que na época ainda não fazia parte do Public Enemy. O irmão de Rubin, Russell Simmons, comandava a Rush Artist Manegement que lançava as obras dos Run D.M.C., Beastie Boys, Public Enemy e LL Cool J, ele fundou a Def Jam, talvez a principal gravadora da New School, Rubin costuma ser creditado como a pessoa que trouxe a comercialidade pro hip hop. O primeiro lançamento da Jam é "I Need a Beat" de 1984 do LL Cool J seguido por "I Can't Live Without My Radio" que foi elogiada pelo NYT. O álbum de estréia de J ("Radio" de 1985) também sampleava rock em "Rock the Bells", embora a banda em geral creditada por essa mudança tenham sido os Beastie Boys que samplearam AC/DC no seu EP de 1984 "Rock Hard", seu álbum de estréia "Licesed to Ill" vendeu 5 milhões de cópias até 1987 e "Raising Hell" cerca de 3 milhões. Intimidadas pelo sucesso da Def, grandes gravadoras passaram à adotar artistas de Hip Hop das ruas de Nova York ou Los Angeles. 1986-1997: Era Dourada do Hip Hop O período entre a metade dos anos 80 e 90 é comumente chamado de "Era Dourada do Hip Hop", caracterizado por sua diversidade, qualidade, inovação e influência. Temas de africocêntrismo e militância política foram muito fortes durante essa época e os samples passaram à ser mais ecléticos e experimentais, incluindo forte influência do jazz. Os artistas em geral mais associados com essa cena são Public Enemy, Eric B. & Rakim, De La Soul, A Tribe Called Quest e Gang Starr. Costuma de caracterizar a "Era Dourada" por sua inovação pois, segundo a Rolling Stone "cada novo single parecia reinventar o gênero" e nas palavras da Spin "muitos álbuns importantes saíram nesse período". Sway Collaway diz que o que faz a "Era Dourada" tão especial é porque tudo ainda estava por ser descoberto e por isso tudo soava novo e inovador, William Jelani Cobb acha que "os rappers da 'Era Dourada' estavam trazendo um cem número de inovações pro gênero". No artigo "In Search of the Golden Age of Hip Hop", os musicólogos Ben Duinker & Denis Martin estabeleceram que a década entre 1986 e 1996 seria a fronteira dessa era, começando com os lançamentos de "Raising Hell" dos Run-D.M.C. e "Licensed to Ill" dos Beastie Boys até a morte de 2Pac Shakur e Notorious B.I.G. O Gangsta Rap é um subgênero que reflete o estilo de vida "perigoso" da juventude negra nas periferias dos grandes centros, sendo pioneirizado por Ice-T e Scholly D e popularizado por grupos como o N.W.A.. "PSK What Does It Mean?" do Scholly D é resguardado como o primeiro single de Gangsta Rap da história, tendo sigo seguido de perto por "6 in the Mournin" do Ice-T, por muito tempo foi o gênero mais lucrativo do hip hop. O N.W.A. é certamente o grupo mais associado com essa vertente devido as suas letras abertamente confrontacionais e "chocantes" pra época com descrições de obscenidades e o constante uso da palavra "nigga", seus beats costumavam samplear guitarras de rock pesado, seu álbum "Straight Outta Compton" de 1988 sendo pra muita gente o primeiro do gênero. O sucesso desse disco estabeleceu Los Angeles no mapa do Hip Hop e a cena da Costa Oeste passou a rivalizar de perto com a Costa Leste. O single "Fuck tha Police" foi tão controverso que o diretor do FBI mandou uma carta pros membros do N.W.A.. Outro momento de controvérsia foi o lançamento do disco "Body Count" do Ice-T cuja música "Cop Killer" gerou ressentimento com várias organizações policiais por narrar um conto de vingança de um criminoso contra policiais racistas, o que fez a Time Warner se recusar à lançar o segundo disco do rapper, "Home Invasion". O rapper classificou a reação da mídia como exagerada "afinal Hollywood fez filmes sobre enfermeiras assassinas e estudantes assassinos, Arnold Schwarzenegger matou dezenas de policiais em "O Exterminador do Futuro" e ninguém reclama disso" e chamou de racista a censura em cima da música "Cop Killer". Sister Souljah disse pro NYT à época que "a razão pro hip hop estar sendo atacado é porque ele expressa as contradições da cultura americana, o que começou como uma expressão artística underground cresceu pra falar de questões que a política não abrange e o problema é que a Casa Branca e a administração Clinton são um sistema que nunca quis lidar com o caos urbano". Apesar de comumente associado à costa oeste, a costa leste também deu à luz a artistas de gangsta rap como o Boogie Down Productions de KRS-One. Em 1990, "Fear of a Black Planet" do Public Enemy foi um relativo sucesso, tendo exercido um papel importante na emergência do Hip Hop que foi classificado como "o gênero mais interessante em desenvolvimento na América" naquele momento por Janice Thompson da Time. Singles como "Fight the Power" do Public Enemy e o fato de um terço da Billboard naquele ano estar ocupada por artistas de hip hop foram movimentos importantes nesse sentido. Bee Stinger, antigo membro da Zulu Nation do Afrika Bambaataa, foi quem cunhou o termo "seis pilares do Hip Hop" que consistiriam em: consciousness, awareness, civil rights awareness, activism awareness, justice and political awareness e comunity awareness, que podem ser traduzidos de modo geral como consciência política e social. MC Hammer atingiu o tipo da billboard em 1990 com o álbum "Please Hammer Don't Hurt 'Em" e se tornou um dos primeiros nomes de relevância comercial no gênero já que foi o primeiro disco de hip hop certificado platina pela RIAA, "Ice Ice Baby" do Vanilla Ice conseguiu a mesma proeza mas como Single. O lançamento do "The Chronic" pelo Dr. Dre em 1992 marca um momento de inflexão aonde ficou claro que a cena da costa oeste era mais comercial que a da leste, o álbum pioneirizou o estilo G-Funk que se seguiu no álbum "Doggystyle" de Snoop Doggy Dogg. Por volta de 1999, o gênero se tornou o mais mainstream da música, cenas fora das duas costas como a do Sul e do Meio-Oeste passaram à crescer no fim dos anos 90. A rivalidade entre rappers das duas costas aumentava e teve seu clímax no assassinato de Notorious B.I.G. e 2Pac Shakur em 1997 e 1996. Tim Dog desiludido com o sucesso da cena da costa oeste compôs "Fuck Compton" onde aloprava a cena rival, no videoclipe ameaçava o californiano Eazy-E, uma das respotas mais famosas foi "Fuck wit Dre Day (and Everybody Celebratin')" do Dr. Dre com o Snoop Dogg. A rivalidade tomou a forma das gravadoras Bad Boy de Nova York fundada por Sean "Puff Daddy" Combs e a Death Row na outra costa, 2Pac acusou nominalmente Biggie e Daddy por uma tentativa de assassinato em 1994, o que gerou o b-side "Who Shot Ya?" produzido por B.I.G. tirando sarro da situação. Nos Source Awards de 1995, Suge Knight da Death Row zoou o fato de Daddy aparecer nos vídeos da sua gravadora. Numa festa em Atlanta, um amigo de Knight foi morto num tiroteio e ele acusou diretamente Combs, o executivo pagou 1.3 milhões de dólares pra tirar 2Pac da prisão naquele ano, o rapper estava sendo acusado de abuso sexual. 2Pac lançou várias canções insultando a Bad Boy incluíndo "Hit 'Em Up", "Against All Odds" e "Bomb First (My Second Reply)", nessa época a mídia já estava em cima publicizando o caso. LL Cool J lançou "I Shot Ya (remix)" em 1995, o que também foi visto por 2Pac como um insulto. Keith Murray foi pessoalmente intimado pelo californiano pelo disco "Mr. Smith" de J. "Long Kiss Goodnight" foi tida como uma resposta de Biggie à Shakur, mas o nova-iorquino nega dizendo que se ele tivesse problema com 2Pac o chamaria pelo nome. Em 7 de setembro de 1996, Shakur foi morto entre a Flamingo Road e a Koval Lane em Las Vegas, no artigo "Who Killed Tupac Shakur?" Chuck Phillips afirma que os responsáveis foram da gangue Crips com quem o rapper se envolveu, mas não descarta o envolvimento de Biggie, que morreu em circunstâncias parecidas enquanto estava em Los Angeles em 9 de março de 1997. Nos anos 90, a cena da Costa Leste foi dominada pela gravadora Native Tongues de artistas como A Tribe Called Quest e De La Soul, embora associada com atos mais otimistas não demorou pra material mais sombrio sair da gravadora (vide "Millie Pulled a Pistol on Santa" do De La Soul), artistas como Public Enemy e Organized Konfusion tinham uma postura mais política e o álbum "Enter the Wu-Tang (36 Chambers)" mudou o jogo revitalizando a cena da Costa Leste com um som mais guiado pro Hardcore Hip Hop. A produção dos dois primeiros discos de Mobb Depp devem muito ao que GZA fez com a Wu-Tang Clan nos seus loops desanexados, super comprimidos e bateria processada além das letras em estilo 'gangsta', o ano de 1994 marcou um renascimento pra cena pois foi o lançamento dos bem-sucedidos "Illmatic" do Nas e "Ready to Die" do Notorious B.I.G., álbuns dos membros da Wu-Tang sozinhos como "Liquid Swords" do GZA, "Ironman" do Ghostface Killah e "Only Built 4 Cuban Linx" do Raekwon são considerados tão clássicos quanto o do coletivo. Os DJ's mais celebrados da época incluem Premier (Gang Starr), Pete Rock e Q-Tip, "Illmatic" do Nas e "Reasonable Doubt" do Jay-Z saíram das mãos desses produtores. Apesar da dominância das gravadoras Bad Boy (B.I.G.) e Rock-a-Fellah (Jay-Z), algumas independentes fizeram sucesso como a Rawkus, responsável pelo Mos Def, e Def Jux. A Rawkus foi fundada por EL-P e sua ideia era fornecer espaço pra atos mais experimentais e alternativos como Cannibal Ox e Aesop Rock. Na Costa Oeste, depois do breakthrough do N.W.A., Dr. Dre estreiou em #1 em 1992 com o "The Chronic" e seu single "Nuthin' but a 'G' Thang' fez muito sucesso, seu estilo G-Funk dominou a cena graças à gravadora Death Row, responsável por atos como 2Pac cujo álbum "All Eyez on Me" estourou com os singles "Ambitionz az a Ridah" e "2 of Amerikaz Most Wanted" e Snoop Dogg com seu "Doggystyle" daonde saiu "What's My Name?" e "Gin & Juice". Alguns artistas underground da costa oeste nessa época e hoje muito celebrados incluem The Pharcyde e DJ Shadow. Além das duas costas, o Sul apresentou uma cena crescente com discos como "Grip It! On That Other Level" de 1989 dos texanos Geto Boys e "The Geto Boys" (1990) e "We Can't Be Stopped" com produção de Rick Rubin. A cena de Houston inclui a carreira solo de Scarface e o grupo UGK. Em Atlanta é notável o lançamento de "3 Years, 5 Months and 2 Days in the Life Of..." (1992) de Arrested Development, "Soul Food" (1995) de Goodie Mob e "ATliens" (1996) do OutKast. Na medida em que o hip hop continuava à se espalhar, a primeira onde de rap rock, rap metal e rapcore apareceu com nomes como Rage Against the Machine e até o Havaí teve uma cena própria conhecida como na mele paleoleo, que misturava música tradicional da ilha com rap. 1997-2006: Era da Ostentação (Bling Era) Enquanto a Era Dourada chamava atenção por artistas 'que não se venderam' enquanto faziam sucesso, a "Bling Era" é marcada por mudanças estilísticas radicas que podem ser ligadas ao disco "No Way Out" do Puff Daddy que trouxe um estilo de refrão retirado do R&B e subject matter materialista, incluem nesse movimento os lançamentos de Timbaland, além da cena de Nova Orleans que introduziu o Miami Bass através da produção de Master P na produção, Lil Wayne é um nome à ter saído da cidade. Muitos dos rappers que atingiram o sucesso nessa época se voltaram pra música Pop como Jay-Z, Nelly e Puff Daddy além de Big Pun, Eminem e 50 Cent. Ainda que rappers brancos existissem desde os Beastie Boys, é inegável que o subject matter de Eminem revitalizou a ideia na medida em que se aproximava mais do que rappers negros faziam. Vários gêneros passaram à incorporar elementos de hip hop nessa época como o R&B de R. Kelly, TLC e Destiny's Child, o Soul de Mrs. Lauren Hyll e Erykah Baduh e o Nu Metal de Korn e Slipknot. Dre foi um nome importante nessa época, seu comeback "2001" (1999) fez sucesso e ele produziu "The Marshall Mathers LP" (2000, Eminem) e "Get Rich or Die Tryin'" (2003, 50 Cent), nenhum outro rapper representou a ascensão do gênero como Jay-Z que foi de cantor pra dono de gravadora, estilista, dono de boate e consultor de marketing, tendo quebrado o recorde de Elvis Presley de artista solo masculino com mais álbuns à pegar #1 na Billboard. Nos anos 2000, o Hip Hop Alternativo teve uma alta com o interesse renovado do público pela intitulada "indie music", artistas como OutKast, Kanye West e Gnarls Barkley são exemplos disso. "Speakerboxxx/The Love Below" do OutKast não foi só aclamado pela crítica como demonstrou o potencial mainstream de vertentes menos usuais de hip hop incluíndo influências de rock, country, R&B, punk, jazz, indie, música eletrônica e gospel, esse disco vendeu 11 milhões de unidade sendo certificado platona pela RIAA e ganhando um Grammy, sendo o segundo álbum à conseguir esse feito -que não significa nada, diga-se de passagem. A 'wonky music' também surgiu de um conjunto de influências que incluem o trip hop, IDM e o dubstep, trazendo a natureza experimental do segundo e as linhas de baixo pesadas do terceiro. O glitch hop tem influência de músicas pop dos anos 80, ragas indianos, jazz eclético e rap da costa oeste, unindo hip hop e música glitch, baseado em linhas de baixo quebradas, irregulares e caóticas além de efeitos típicos de glitch, o ato mais bem-sucedido dessa cena é o Flying Lotus. O Wonky surgiu como um subgênero do Glitch Hop, notadamente pela gravadora Hyperdub, e se diferencia pelos seus synths instáveis de médio alcance, nomes relevantes da cena incluem Hudon Mohawke. O 'Crunk' é um subgênero que surgiu no Tennessee nos anos 1990, influenciado pela Miami Bass, costuma ser apontado Lil Jon como seu precursor e se espalhou como uma força comercial pelo Sul dos EUA, o gênero se caracteriza por loops despojados de caixa de ritmos e melodias de sintetizador que se repetem e estocadas pesadas de baixo, o tempo é em geral mais lento, se assemelhando ao Reggaeton. O gênero se destaca mais pelos seus beats que pela parte lírica, embora muitos crunk rappers gritem criando uma atmosfera pesada em volta do seu som, ao contrário de outras vertentes, o 'crunk' costuma ser visto como 'musica de festa' sendo fraco em comentário social como outras vertentes do hip hop. 2006-2014: Era Alternativa & Eletrônica Um subgênero do Crunk à emergir de Atlanta nos anos 90, o Snap Rap ganhou popularidade na segunda metade dos anos 2000, seu som consiste em beats de Roland TR-808, baixo, hi-hat e estalos, um groove principal e a parte vocal. Alguns hits de Snap Rap incluem "Lean wit It, Rock wit It" dos Dem Franchize Boyz, "Laffy Taffy" de D4L, "It's Goin' Down" de Yung Joc e "Crank That (Soulja Boy)" de Soulja Boy Tell 'Em. Soulja Boy é celebrado por ter pioneirizado o formato de rappers que publicam sua música na internet. À partir de 2005, as vendas de discos de Hip Hop passaram à cair o que levou a revista Time à questionar se o gênero como conhecíamos estaria morrendo, pela primeira vez em dez anos não havia algum disco de rap no top 10 da billboard em 2006 e se estima que desde o ano 2000 as vendas do gênero tenham caído 44%, pra NFR muitos jovens estavam de saco cheio da violência e da degradação passada pelas letras do estilo, a reportagem "Generation M" da Henry Kaiser Foundation provou contudo que o gênero permanecia o mais popular com jovens. Com o advento do download ilegal de músicas, se argumenta que apenas as pessoas pararam de consumir da maneira tradicional, um exemplo disso é que Flo Rida lançou diversos hits nesse período e nunca foi exatamente famoso por vender muito. A pobreza lírica e a falta de samples também foi apontada como motivo pro declínio do hip hop no mainstream, pra citar um exemplo enquanto em "Moment of Truth", o Gang Starr usa 35 samples, em "Paper Trail", T.I. usa quatro. Apesar da diminuição nas vendas contudo o hip hop permaneceu no topo da Billboard durante a década com artistas como Eminem, Black Eyes Paes e Rick Ross. A emergência do hip hop alternativo de certa forma salvou o estilo do ostracismo na medida em que o gangsta rap deixava de ser interessante, "Graduation" do Kanye West se tornou relevante nesse período por vender 1 milhão de cópias antes do álbum "Curtis" do 50 Cent, provando que músicas inventivas poderiam fazer sucesso sem elementos do gangsta rap. E ainda que West descreva "808 & Heartbreaks" como um disco de música pop, seu impacto no hip hop foi sentido, tendo escolhido cantar sobre amor, solidão e desilusões amorosos ao invés dos temas mais tradicionais, Jay-Z anunciou após o lançamento de "The Blueprint 3" que seu próximo disco seria experimental como Kanye que divide o álbum com o amigo, "Watch the Throne" teve inspiração no som de artistas de Indie Rock como Grizzly Bear. O canadense K'naan, o japonês Shing02 e a britânica M.I.A. desafiaram o predomínio americano no gênero. Com o advento da Internet, nomes como Drake e Kid Cudi estouram através do lançamento de mixtapes gratuitas online, os artistas em ascensão da época como Kendrick Lamar, J. Cole e Jay Electronica foram celebrados por terem influências mais ecléticas que as dos rappers da 'Bling Era'. O uso de autotune pioneirizado por T-Pain pode ser visto não só em "808 & Heartbreaks" mas em hits da época como "Lollipop" de Lil Wayne e "Sexual Eruption" de Snoop Dog. 2014-Presente: Mumble Rap e Trap Tendo começado nos anos 2000, o Trap se tornou um gênero importante na década de 2010, se caracterizando por hi-hats de tempos duplos ou triplos, pedais rápidos e uso de Roland TR-808, sintetizadores e uma atmosfera mais soturna. A música "H·A·M" de West com Jay Z e até hits de música pop como "7/11" da Beyoncé incorporam elementos de Trap. Nomes relavantes no gênero incluem Waka Flocka Flame, Future, Migos, Young Thug e Travis Scott. O termo "mumble rap" é comumente usado pra descrever a variedade de trap caracterizada por vocais sintetizados ao ponto de serem quase indiscerniveis, muito criticado o estilo tem nomes de ondas antigas de rap como detratores, Snoop Dogg disse "não saber diferenciar um [mumble rapper] do outro" e Eminem se disse confuso em relação ao gênero. A introdução dos serviços de streaming na década de 2010 causou bastante impacto, "Coloring Book" do Chance The Rapper foi a primeira mixtape, sem lançamento comercial, à ganhar um Grammy e "Yeezus" do Kanye foi descrito como "a morte dos CDs" com "The Life of Pablo" sendo lançado apenas digitalmente, "More Life" do Drake foi chamada de Playlist, desafiando os formatos tradicionais Álbum e Mixtape. O SoundCloud foi responsável por lançar vários artistas nessa época como Post-Malone, Lil Uzi Vert, Lil Peep, XXXTentacione e Lil Pump, caracterizados por uma produção de baixa fidelidade (lo-fi) originaram outra categorização comumente usada que é o "SoundCloud Rap", muitos desses artistas chamaram negativamente a atenção da mídia devido ao abuso de drogas de Peep, acusações de estupro contra XXXTentacion e de pedofilia contra 6ix9ine. Hip-Hop Todos os artistas, todas as bandas e todas as músicas que você possa imaginar, das mais novas às mais antigas, são facilmente acessíveis através do Frogtoon Music. Prepare-se para se entregar e permitir que a música enriqueça sua alma, acenda sua paixão, desperte suas emoções e traga de volta algumas belas lembranças. A seguir está um diretório dos principais artistas e bandas de Hip-Hop:
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